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Igarapé 
100x200cm
óleo  sobre tela com pasta de cera 

Exposição realizada no SESC- Arsenal em Cuiabá/MT 

setembro a outubro de 2010

Uma Exposição para ser vista

 

 

A exposição é o cartão postal de todo artista. Sempre foi e será. Pois é a partir do ato de expor que seus trabalhos tornam conhecidos, e o conhecer, neste particular, não se restringe ao limite verbal. Ultrapassa a dimensão do tempo. Vai além do presente, o qual serve de ponte entre o passado e o futuro. Um amanhã que pode não ser igual ao hoje, nem ao ontem.

 

Caso persista o descuido com a natureza. Recado bastante claro nos quadros de Miguel Penha. Recado que se transforma em convite.

 

Não qualquer convite. Mas o de caminhar por dentro da mata, enquanto se ouve, bem de perto, os cânticos dos passarinhos. Caminhada que encanta. Tanto que parece entrelaçar homem e natureza. O público se vê, então, conduzido pelas pegadas do artista. Parece seguir religiosamente seus passos, cujas paisagens formam cenários perfeitos  ricos em simplicidade e sensibilidades.

 

Terrenos que o pintor sabe percorrer tão bem. Mais do que se possa imaginar, e faz dos ângulos não apenas os formatos das telas, mas, de fato, longos corredores a serem seguidos.

 

Assim, por entre as árvores, o espectador depara com um ambiente antes explorado. Chega a ter a sensação de que pisa nos galhos secos e na folhagem caída sobre o chão, ao mesmo tempo em que seus olhos percorrem os desenhos feitos por caules das árvores, cujas texturas variam de tonalidade, e fungos de diversas cores, criando dessa forma uma estampa extraordinária. Tem-se, bem de perto, a Amazônia. Lugar paraíso, onde se possa oxigenar para a vida. Viver que exige proximidade com a mata, pássaros e grilos.

 

Deleite! Visitante e pinturas se fundem em um único quadro. Pois em momento algum, teve comunidade humana sem cultura.

 

Por tudo isso, deve-se aproveitar de tudo que a exposição pode oferecer. Ainda que seja no seu último dia. Oportunidade para entrar em contato com a obra e com o seu autor.

 

Miguel Penha é um artista exemplar. Expressa em suas pinturas além do que pensa e vê. Por isso, Dentro da Mata supera o espaço limítrofe de um título. Afinal, é uma experiência, narrada em traços, cortes e riscos. Razão pela qual se deve visitar a exposição. Ainda que já tenha passado por ela. Uma ou duas vezes. Não importa! Relevante mesmo é o estar no local onde se encontram as pinturas.

 

Contato que une espectador, obra e autor. Tripé de engrandecimento, e não só de reconhecimento da grandeza das obras expostas no SESC/Arsenal. Pois nelas, nas ditas obras, têm uma fatia de Mato Grosso, e, por conta disso, de cada morador daqui.

 

Lourembergue Alves é professor universitário e articulista de A Gazeta, escreve para a Gazeta às terças-feiras, sextas-feiras e aos domingos. Matéria publicada no Jornal A gazeta dia 24/10/2010.

Para mais informações acesse o blog:

http://dentrodamata.blogspot.com.br/

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